As viagens de Mário de Andrade em busca das vozes do Brasil
Marcelo Burgos P. dos Santos
UFPB (Universidade Federal da Paraíba)
Introdução
O presente artigo insere-se na discussão das relações entre literatura e ciências sociais, focando um aspecto importante que vincula essas duas áreas, a saber a cultura. O objetivo é analisar os significados e repercussões das duas viagens etnográficas realizadas por Mário de Andrade na década de 20 e as reverberações que tiveram em sua obra e parte de sua trajetória pública. Essas viagens ficaram conhecidas através do livro O Turista Aprendiz, publicado postumamente. Este trabalho considera algumas obras literárias e ensaios do autor que interpretam o Brasil e a cultura brasileira a partir dessas viagens etnográficas. Pode-se dizer que foram viagens para encontrar e melhor conhecer o Brasil. Ou ainda, uma tentativa de buscar as vozes do Brasil dentro da cultura popular.
As duas viagens etnográficas que compõem O Turista Aprendiz percorreram regiões do Norte e Nordeste do Brasil, em 1927 e, posteriormente, nos anos 1928-29, quando retorna ao Nordeste brasileiro. Foram batizadas pelo próprio autor como Viagens Etnográficas. Na primeira, Mário de Andrade viajou sem compromissos com estudo ou pesquisa, querendo acima de tudo conhecer a região amazônica e o Nordeste. Na segunda, seu intuito básico era, além de conhecer, entender melhor a cultura brasileira, entendida aqui num sentido amplo.
Viagens etnográficas e o contato com as vozes do Brasil
A primeira viagem ocorreu entre 7 de maio e 15 de agosto de 1927, e o escritor modernista viajou acompanhado por três mulheres, capitaneadas pela amiga D. Olívia Guedes Penteado – uma das mecenas do modernismo brasileiro. As outras duas eram Margarida Guedes Nogueira, sobrinha de D. Olívia e Dulce do Amaral Pinto, filha de Tarsila do Amaral. Essa viagem foi fruto da empolgação do grupo modernista com outra viagem, que ficou conhecida como “viagem da descoberta do Brasil”, em 1924 (Lopez, 2002: 16), pelo interior de Minas Gerais1.
A viagem à Amazônia, em princípio, seria composta por uma comitiva maior, com outros modernistas. Porém ficou reduzida a esses quatro viajantes e seguia os mesmos moldes da viagem feita por este grupo em 1924. Viajar só, na companhia de três mulheres, causou grande desconforto e constrangimento ao poeta, pois partir numa viagem com essas companhias era um fato anormal para a época, mesmo para um grupo que se colocava como vanguarda da sociedade.
Desde o momento de preparação, durante e também posteriormente, ao período das viagens etnográficas, Mário de Andrade dialoga com interlocutores e conhecidos, com quem se corresponde e mantém contato. Um desses parceiros é Câmara Cascudo, seu correspondente desde 1924, embora só fossem se conhecer pessoalmente durante a segunda viagem etnográfica. Tais viagens serviram, igualmente, para estreitar laços com outros modernistas, principalmente os do Nordeste. Estabelece contato com José Américo de Almeida e José Lins do Rego, nomes importantes da literatura brasileira e outros menos conhecidos, como Ascenso Ferreira e Joaquim Inojosa, pertencentes ao movimento modernista do Nordeste. Todas elas foram relevantes interlocuções porque Mário de Andrade discute aspectos relacionados à cultura e artes brasileiras. Exemplo desse intercâmbio pode ser notado enquanto escrevia Macunaíma (1928), pois escreve a alguns de seus amigos solicitando mitos e lendas para incorporar à obra.
Alguns elementos ou inspirações provenientes das visitas às regiões Norte e Nordeste do Brasil surgiriam em suas obras mais famosas (poesias, crônicas e romances), mas também em obras menos conhecidas do público. Todo esse material é fundamental para compreender a busca que Mário de Andrade fazia pelas vozes do Brasil além do que entendia e interpretava como aspectos e manifestações culturais brasileiras. Ou ainda, naquilo que ele próprio definia como momento de “redescobrimento” do Brasil2.
O resultado dessa busca pelas artes e culturas brasileiras foram agrupadas no projeto Na Pancada do Ganzá3. Assim, neste viés, Mário de Andrade não foi apenas o grande escritor de literatura ou o homem ligado às artes, embora talvez essa seja sua face mais conhecida. Há outra dimensão fundamental para entender sua importância: ele também foi um intelectual, pensador que viajou e estudou para melhor compreender o Brasil e os brasileiros, fundamentalmente no campo cultural.
Desde o início da primeira de suas viagens etnográficas, Mário de Andrade ensaiava uma pesquisa sobre a cultura brasileira (Na Pancada do Ganzá) não concluída devido ao seu falecimento. Tal pesquisa buscava interpretar o Brasil a partir de sua cultura, tendo por base músicas populares, tradições artísticas, danças dramáticas, objetos folclóricos, mitos, lendas e manifestações culturais. Em outras palavras, procurava vozes não oficiais do Brasil. Para levar adiante esse projeto, grande parte da coleta de dados e materiais foi realizada por ele próprio, durante as viagens etnográficas e também em outras viagens aos arredores de São Paulo. O mesmo material forneceria inspiração para sua obra literária, caso de Macunaíma, e para algumas crônicas e poesias.
Além de Macunaíma, escrito entre as duas viagens etnográficas (que contém mitos e inspirações oriundas do contato com pessoas e lugares visitados durante a expedição à região amazônica), citamos, ainda, o livro de poesias Remate de Males (1930), que traz no título referência a uma cidade da Amazônia, visitada nessa viagem. Outro exemplo é o livro Os filhos da Candinha (1943), uma coletânea de crônicas publicada pelo autor, algumas delas inspiradas em episódios vividos nas viagens. Da mesma forma que Dois poemas acreanos, publicado em Clã do Jabuti (1927), logo após o retorno da viagem à região amazônica, que exala sentimentos de fraternidade por seringueiros, conhecidos durante essa expedição. Esta breve amostra são algumas reverberações que as viagens etnográficas tiveram na obra de Mário de Andrade.
Mário de Andrade e o Brasil dos anos 20 e 30
Em suma, o que se analisa é a forma particular que Mário de Andrade desenvolveu para entender o Brasil. Este artigo é a tentativa de ver e entender as viagens etnográficas do autor como essenciais para a produção de uma parte significativa de sua escritura literária e também para fundamentar sua prática política no Departamento de Cultura4. Assim, além de inspiração, supõe-se que as viagens etnográficas foram importantes por fornecer ao escritor modernista uma maior dimensão da cultura brasileira através de práticas que ele pôde observar in loco e, igualmente, pelos diálogos estabelecidos com outros artistas e intelectuais brasileiros e estrangeiros.
É necessário lembrar que os anos 20 e 30 do século XX foram significativos e importantes no Brasil, que passou por grandes processos de transformações sociais, culturais, políticas, urbanas e econômicas. E também que uma das inquietações do movimento modernista era com aspectos estéticos e ideológicos na busca por um outro Brasil: novo, mais verdadeiro, autêntico. Assim, é possível falar em um projeto modernista para o Brasil (ou, conforme a concepção, vários projetos). Afrânio Coutinho, em Introdução à literatura no Brasil (1988), afirma :
1922 foi mais que uma simples data, porquanto denota que a situação revolucionária chegara ao auge do amadurecimento, e não foi por certo casual a coincidência das revoluções estética e política, iniciada também com o levante dos 18 do Forte de Copacabana, no mesmo ano, o que mostra que a consciência do país atingira um estado agudo de revoltas com a velha ordem, em seus diversos setores. Não se trata de procurar precedência de um fator sobre os outros, o intelectual e artístico, o político, o econômico. Mas de reconhecer que era a estrutura da civilização brasileira, era o todo do organismo nacional, que mobilizava as forças para quebrar as amarras da sujeição ao colonialismo mental, político e econômico, entrando firme na era da maturidade e posse de si mesmo (Coutinho, 1988: 265-6).
Sem a possibilidade de alhear-se dessas transformações multifacetárias da sociedade brasileira, o movimento modernista, não por acaso, dividiu-se em vários subgrupos divergentes tanto no campo estético como no político: Movimento Pau Brasil, Movimento Antropofágico, Movimento da Anta, Movimento Verde-Amarelo (este culminaria no movimento político conhecido como Ação Integralista Brasileira, capitaneado por Plínio Salgado). Alguns modernistas e suas correntes possuíam características mais progressistas; outros, colorações fascistas. Seus próprios idealizadores escancaravam seus posicionamentos políticos e ideológicos, além das respectivas práticas.
No campo político, alguns modernistas participaram mais ativamente da política dos anos 20 e 30 no Brasil. Alguns apoiaram a criação do Partido Democrático, outros (em São Paulo) tinham maior contato com o velho Partido Republicano Paulista (PRP). Mais tarde, uns aderiram ao Estado Novo de Getúlio Vargas. Mário de Andrade, com os companheiros, participou ativamente do debate político do momento. Nutria simpatia pelo Partido Democrático, onde colaborou como escritor no jornal partidário – Diário Nacional – e sua atuação se particularizou no debate público (e portanto político), como o diretor do Departamento de Cultura, durante a gestão do prefeito Fabio Prado, abortada pelo golpe de Getúlio em 1937.
Mário de Andrade foi um sujeito político sob duas perspectivas: a primeira, como participante ativo de um debate público (com o projeto modernista), que propunha reformulações e intervenções artísticas e culturais, com claros interesses estéticos, mas também ideológicos; a segunda, como ator político no sentido da carreira institucional, como ‘homem público’ que institucionalizou o campo cultural na política brasileira. Aqui, se observa a esfera do sujeito cultural atuando na política, pois Mário de Andrade sempre teve como preocupação, demonstrada em diversos momentos de sua obra, a função social do artista, ou seja, o papel do artista no conjunto da sociedade. Assim, tanto a vertente artística como política estão alicerçadas no pilar ‘homem pesquisador’, uma vez que sua atuação baseou-se em práticas metodológicas de cunho científico, que repercutiram em sua obra de artista e em sua atuação institucional.
Como Coutinho (1988) afirma, o século XX espalhou “a convicção que o Brasil podia ser ‘vivido’ intelectualmente, e, com a matéria prima que oferece, recriado artisticamente” (p. 236). Mário de Andrade não só recria o Brasil artisticamente; age também como fomentador de transformações políticas.
Como ‘homem pesquisador’ são notórios e notáveis os diálogos e redes de contato que estabeleceu durante toda sua vida (ou parte dela) com artistas e intelectuais brasileiros e estrangeiros. Manuel Bandeira, Cícero Dias, Di Cavalcanti, Vitor Brecheret, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Lasar Segall, Oswald de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Heitor Villa-Lobos, Camargo Guarnieri, Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Câmara Cascudo, Paulo Prado, Blaise Cendrars, o casal Dina e Claude Lévi-Strauss e Roger Bastide são alguns exemplos. Pode-se afirmar que o traço comum de todos esses diálogos tenha sido, grosso modo, a ideia de brasilidade. Coutinho (1988) lembra que :
Será difícil apontar noutra cultura tão importante, vasta e substanciosa soma de estudos como a que oferece a nossa “brasiliana”, que ocupa um setor relevante de nossa história cultural, num plano em que se misturam e cooperam entre si a literatura, a filosofia, a história, a sociologia, a antropologia, a etnografia, a geografia, a linguística, a economia, etc., criando quase um gênero intelectual desconhecido de outros povos [...] é toda uma linhagem de pensamento e pesquisa acerca da terra e da gente brasileiras, para conhecer e revelar o país e o povo, a fim de dar aos brasileiros a consciência da sua civilização e cultura, e consolidar a sua fisionomia (Coutinho, 1988: 237).
Em outras palavras, o relevante é a maneira como as ideias modernistas buscavam interpretar o Brasil e a forma como interagiam e influenciavam a sociedade brasileira da época, imersa em transformações. O foco aqui é a compreensão que Mário de Andrade tinha do modernismo e do papel estético-ideológico que ele atribuía a si mesmo e ao movimento.
Literatura de viagens em Mário de Andrade
Para tanto, o recorte deste artigo se debruça sobre a literatura de viagens, gênero que se consolidou na língua portuguesa, desde o período das Grandes Descobertas, nos séculos XV-XVI. Basta mencionar Os Lusíadas, de Luís de Camões, obra fundante das nossas letras, que trata das grandes viagens portuguesas. A própria Carta de Pero Vaz de Caminha aos reis de Portugal, na qual relata a descoberta do Brasil, revela a importância deste gênero literário na cultura lusófona. Mário de Andrade, de alguma forma, foi seduzido e atraído pela literatura de viagens, e por isso realizou as chamadas “viagens etnográficas” (Santos, 2009).
O escritor recupera esse gênero literário, inspirado entre outros no livro Apontamentos de Viagem, escrito por seu avô, J. A. Leite, a partir de andanças pelo interior do Brasil. Esse gênero combina preocupações literárias e interesses específicos, retomando a ideia de brasiliana defendida por Coutinho (1988). Na literatura de viagens o real pode, por vezes, se sobrepor ao ficcional. As anotações técnicas e observações do real convivem com a figura do “criador literário”. É notável observar como as viagens propiciaram que a literatura de Mario de Andrade transitasse entre o sensível e o inteligível. A poeticidade da experiência aparece em alguns poemas e crônicas; e suas observações, calcadas na realidade e elaboradas pela racionalidade, dariam origem a outras narrativas, que surgem nos relatos da segunda viagem.
N’O Turista Aprendiz (2002), diversas passagens ficcionais remetem ao gênero depois associado à literatura latino americana do século XX – o realismo mágico –, característica também presente em trechos de Macunaíma. Esse realismo mágico, em Macunaíma, aparece com a desterritorialização ou desgeografização do Brasil pelo herói sem nenhum caráter, cujas narrativas misturam lugares do Sul, do Norte e do Nordeste brasileiros, numa tentativa de recriar um novo espaço brasileiro, onde as fronteiras reais já não fazem mais sentido. Talvez fosse necessário recriar um novo espaço do Brasil.
Telê Porto Ancona Lopez (2002), na introdução do livro O Turista Aprendiz, afirma :
Desde as primeiras declarações do escritor, ficam claras suas intenções quanto ao gênero do livro: um diário, cuja abertura para a narrativa da viagem visava não deixar escapar o peso de uma ótica impressionista, capaz de unir a referencialidade à poeticidade, transformando a experiência vivida (o sentido, o pensado, o biográfico – o real, enfim), em um texto com finalidade artística que é burilado em termos de distanciamento do arte-fazer. O confessional do diário e o referencial pertencente ao dado da viagem, embora filtrados pela arte, ainda permanecem com elementos do real, dado o hibridismo do gênero mas a seu lado, firme, intromete-se a ficção” (Lopez, 2002: 31).
Essa ótica impressionista advém da inspiração exterior, em que a impressão é seguida da reprodução do observado, ou seja, o artista reproduz “as impressões despertadas no seu espírito pelo mundo exterior” (Coutinho, 1988: 242). Telê Lopez ressalta a perspectiva e impressões que as viagens etnográficas assumem em alguns momentos na obra de Mário de Andrade. Por mais que, em princípio, o escritor modernista ensaiasse produzir um diário de suas viagens, este não fica limitado à descrição do real observado. Vai além, usando o vivido e o experienciado no exercício da criação literária. Em alguns momentos cria personagens que passam a viajar com ele; em outros, a partir do contato concreto com pessoas, desenvolve narrativas ficcionais sobre elas mesmas. Algumas experiências são retomadas em anos posteriores, quando o escritor volta aos seus diários e escreve novas crônicas, poesias e narrativas literárias.
Os exemplos dados pertencem ao universo literário, mas reafirma-se as viagens etnográficas do autor como instrumento de novas percepções da cultura brasileira. Ele observa e descreve manifestações culturais relativas a músicas e danças que o auxiliaram em suas pesquisas musicológicas. Também recolhe material artesanal e/ou artístico, que comporiam sua coleção particular de objetos brasileiros (hoje disponíveis nas coleções do IEB-USP). Mais tarde, no Departamento de Cultura, mantém a prática de recolhimento de artesanato e outros bens materiais e imateriais, criando uma coleção pública.
É curioso saber que Mário de Andrade admitiria, nos diários que originaram o livro O Turista Aprendiz, que não gostava de viajar, por mais contraditório que isso possa parecer. No dia inicial do diário, antes da primeira viagem, anota: “Não fui feito pra viajar, bolas! Estou sorrindo, mas por dentro de mim vai um arrependimento assombrado, cor de incesto” (Andrade, 2002: 51). Mais adiante, quando se encontra em Belém reclama: “É incrível como vivo excitado, se vê que ainda não sei viajar, gozo demais, concordo demais, não saboreio bem a vida” (Andrade, 2002: 63). Alguns dias mais tarde, ao narrar um pesadelo, conclui mais uma vez: “Não fui feito pra viajar, meu destino é viver em casa entre meus livros, sem lidar com muita gente estranha” (Andrade, 2002: 129).
A segunda viagem etnográfica começa com a mesma reclamação: “Se repetiu a mesma sensação desagradável do ano passado quando parti pro Amazonas. Está provado que não fui feito pra viajar” (Andrade, 2002: 180). Aqui, cabe uma aproximação com o antropólogo e etnólogo francês Claude Lévi-Strauss, outro viajante como Mário de Andrade (eles se conheceriam anos mais tarde, com a vinda da Missão Universitária Francesa para lecionar na fundação da Universidade de São Paulo). Lévi-Strauss, no início do seu famoso livro Tristes Trópicos, num trecho bastante conhecido, afirma: “Odeio as viagens e os exploradores” (Lévi-Strauss, 2005: 15), embora também nunca tenha se furtado a realizá-las, e em roteiros muito mais amplos do que as viagens de Mário de Andrade.
O Turista Aprendiz
A primeira viagem etnográfica, que compõe a primeira parte do livro O Turista Aprendiz, foi denominada por Mário de Andrade como: O turista aprendiz: Viagens pelo Amazonas até o Peru, pelo Madeira até a Bolívia por Marajó até dizer chega – 1927, e daria início ao seu projeto Na Pancada do Ganzá. O título irreverente brinca e faz alusão a nomes de outras obras literárias classificadas como literatura de viagens e que, normalmente, possuem longos títulos, numa tentativa de incorporar os lugares visitados por seus autores5.
A segunda parte do livro O Turista Aprendiz trata da segunda viagem, realizada entre 28 de novembro de 1928 e 24 de fevereiro de 1929. Nessa expedição, o poeta embarca sozinho rumo ao Nordeste, com a intenção de pesquisar, recolher, registrar e catalogar manifestações sonoras e visuais das expressões artísticas e culturais que ele considerava genuinamente brasileiras. Sua motivação quase que exclusiva, portanto, é pesquisar e estudar a cultura brasileira. Para isso, concentra sua viagem a poucos estados nordestinos: Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e, de passagem, Alagoas. Em Natal, ficaria hospedado na casa de Câmara Cascudo, com quem manterá intensa discussão durante toda a vida. Aliás, é o folclorista potiguar que apresenta Chico Antônio, cantador de cocos, ao escritor paulista.
O encontro entre esses dois ocorre no Engenho Bom Jardim, próximo a Natal, onde Mário de Andrade fora levado por Câmara Cascudo. Encanta-se com ele, a ponto de afirmar que o cantor “vale mais que dez carusos” (o famoso tenor italiano Enrico Caruso que deslumbrou o mundo na passagem do séc. XIX ao XX). Este contato seria retratado posteriormente no livro Vida do Cantador6. E, embora efêmero por durar apenas 6 dias, é bastante significativo, pois o escritor paulista levará esses momentos e experiências para outros livros. Chico Antônio seria inspirador de uma das personagens de sua opereta inacabada, Café, que retratava a crise da economia cafeeira paulista, pós-crise econômica mundial de 1929.
Durante a segunda viagem reúne uma quantidade imensa de material, que deveria ser trabalhado e analisado com calma nos anos subsequentes, como parte do projeto Na Pancada do Ganzá. Telê Lopez (2002) afirma :
Além das crônicas de ‘O Turista Aprendiz’, a viagem ao Nordeste terá outros resultados também bastante significativos. Mário reunirá fartíssimo material de pesquisa sobre danças dramáticas, sobre melodias do Boi, sobre música de feitiçaria, religiosidade popular, crenças e superstições, poesia popular (Lopez, 2002: 21).
Observa-se que a primeira viagem etnográfica, embora já com um intuito de trabalho e pesquisa, foi bem menos sistematizada, uma vez que Mário de Andrade viajava em companhia de outras pessoas e esteve sempre preso aos compromissos oficiais da Rainha do Café, apelido de D. Olivia Penteado. A segunda viagem, ao contrário, é muito mais planejada para pesquisa e trabalho, não apenas em seu roteiro e contatos, mas também do ponto de vista econômico, para realizá-la de modo efetivo. Sobre a segunda, José Tavares Lira (2005) afirma :
Mário desta vez viaja só, portanto, isento dos compromissos de cavalheiro e protocolo, porém a trabalho: chama a expedição de “viagem etnográfica” e em parte será custeada pela função de cronista do Diário Nacional, em que era responsável pela coluna diária, que chamará durante a ausência de São Paulo de “O turista aprendiz”. Diferente no objetivo e na prosa, a viagem sofre uma mutação fundamental: as mediações com o destino não se dão agora pelas autoridades locais, mas pelos amigos, modernistas e simpatizantes, seus anfitriões, cicerones ou condutores pelas coisas populares (Lira, 2005: 150).
Esta viagem, então, envolve a publicação de artigos jornalísticos, crônicas que o autor enviava diariamente, como correspondente, para o jornal com o qual colaborava, o Diário Nacional8. Desempenha dupla função, portanto: além de pesquisar a cultura brasileira, tem o compromisso de escrever crônicas para seu jornal. Em outras palavras, durante a segunda viagem, o escritor modernista teve possibilidades de se conectar a um Brasil mais popular.
No intervalo entre as duas viagens, Mário de Andrade publica Clã do Jabuti (1927); Macunaíma, o herói sem nenhum caráter (1928) e Ensaio sobre a música brasileira (1928). De acordo com Marta Batista (2004), Clã do Jabuti é um livro de “poesia experimental, exercício de seu projeto modernista – ‘tese de Brasil’” (p.35). Para Sérgio Miceli, em seu artigo: Mário de Andrade: a invenção do moderno intelectual brasileiro (2009), esse livro de poesias :
explora as tensões entre o litoral civilizado europeizado, e o sertão selvagem, valendo-se de expedientes de composição reminiscentes de Macunaíma: o apelo ao folclore, às manifestações de cultura popular, aos meneios da prática literária erudita, o intento era unificar esses polos de vibração da “alma nacional” por meio de um itinerário das expressões regionais do país; o poeta dividido entre o chão de experiência nativa e a cultura estrangeira, entre a conquista de um rosto autóctone e a alienação imposta pelo esquadro europeu (Miceli, 2009: 171).
Alguns dos poemas mais conhecidos de Mário de Andrade são publicados nesse livro, e tem origem em contatos e experiências com o Brasil nordestino e, sobretudo, com o nortista. Exemplificamos com a parte final de O Poeta Come Amendoim, poema de abertura do livro, que mostra claramente uma identificação com o Brasil e com a brasilidade :
Brasil...
Mastigado na gostosura quente de amendoim...
Falado numa língua curumim
De palavras incertas num remeleixo melado melancólico...
Saem lentas frescas trituradas pelos meus dentes bons...
Molham meus beiços que dão beijos alastrados
E depois remurmuram sem malícia as rezas bem nascidas...
Brasil amado não porque seja minha pátria,
Pátria é acaso de migrações e do pão-nosso onde Deus der...
Brasil que eu amo porque é o ritmo do meu braço venturoso,
O gosto dos meus descansos,
O balanço das minhas cantigas amores e danças
Brasil que sou porque é a minha expressão muito engraçada,
Porque é o meu sentimento pachorrento,
Porque é o meu jeito de ganhar dinheiro, de comer e de dormir9.
O poema desenvolve algumas características de ritmo e sonoridade marcados pelo uso de palavras que se evidenciam, como: “num remeleixo melado melancólico”, ou ainda, “saem lentas frescas trituradas pelos meus dentes bons”, “molham meus beiços que dão beijos alastrados”... Pode-se notar que a forma poética é utilizada para criar novos sentidos sonoros e rítmicos aos leitores. Também revela aspectos que ocuparão lugar importante na produção artística e intelectual do autor, como a questão da linguagem. Nota-se a preocupação com a língua falada no Brasil, e a nomeia no próprio poema: “falado numa língua curumim”. Essa língua curumim será buscada ao longo de toda a sua vida, a língua brasileira falada nas ruas, a língua popular. Mário de Andrade muitas vezes grafava o si ao invés do gramaticalmente correto se, pois era a forma que mais se parecia com a língua falada pelo brasileiro comum. Seus livros mostram a preocupação estética de escrever através de uma linguagem mais popular e menos erudita, buscando aproximar a oralidade da escrita.
O poema mostra aproximações com a antropologia, quando fala do modo do “descansar”, uma vez que revela as particularidades culturais dos muitos “brasis” (mesmo tratando de hábitos corriqueiros e naturais).O descanso, no Norte e no Nordeste, muitas vezes ocorre na rede, o que muito aprazia Mário de Andrade. “O balanço das minhas cantigas amores e danças”, um certo “sentimento pachorrento”, ou mesmo “meu jeito de ganhar dinheiro, de comer e de dormir”.
No entanto, a pesquisadora Telê Lopez em seu livro Mário de Andrade: Ramais e caminhos (1972) afirma que esse poema foi escrito em 1924, onde já é possível notar o interesse do escritor por um maior entendimento do que seria o povo brasileiro, e faria parte de sua brasiliana. Quando analisa o referido poema, do ponto de vista da ideia “pátria”, pondera :
O conceito abstrato de pátria é superado pela caracterização do Brasil, através da conceituação individual do poeta como brasileiro, valorizando-se como indivíduo bem representativo de seu povo [...] O interesse pela nacionalidade faz com que concentre suas preocupações na área do particular. Além disso, o nacionalismo serve para desgastar o conceito tradicional de pátria e reforçar a importância de pátria = consciência da realidade brasileira, sugerindo através da forma pela qual se situa, como brasileiro, a necessidade de caracterização crítica para a nação (Lopez, 1972: 47).
O que Mário de Andrade procura não é síntese da identidade nacional, e sim várias identidades, fundamentais para formar a cultura ou as culturas brasileiras. E no plural, pois não é possível falar de uma única cultura brasileira: os matizes são múltiplos. Quando faz suas próprias pesquisas ou dirige o grupo de pesquisadores incumbidos de realizar a Missão de Pesquisas Folclóricas (1935-1938), Mário de Andrade conceitua a identidade cultural brasileira no plural.
O último poema do livro, Dois Poemas Acreanos, cuja primeira parte – Descobrimento – segue abaixo, tenta falar dessa brasilidade multifacetada, dos infinitos “brasis”, dos infinitos brasileiros :
Abancado à escrivaninha em São Paulo
Na minha casa da rua Lopes Chaves
De sopetão senti um friúme por dentro.
Fiquei trêmulo, muito comovido
Com o livro palerma olhando pra mim.
Não vê que me lembrei lá no norte, meu Deus! Muito longe de mim,
Na escuridão ativa da noite que caiu,
Um homem pálido, magro de cabelo escorrendo nos olhos
Depois de fazer uma pele com a borracha do dia,
Faz pouco se deitou, está dormindo.
Esse homem é brasileiro que nem eu...10
Fica clara a identificação entre o escritor paulistano e seu “conterrâneo” acreano, dois brasileiros, sem que suas diferenças sejam significativas; o que importa são os traços de proximidade e similitudes. Essa percepção de outros brasileiros e outros “brasis” aparece desde a primeira viagem etnográfica, na região amazônica. Em diversos momentos, se mostra ansioso por conhecer os seringais amazônicos. Finalmente, na região do rio Madeira, consegue realizar a visita. Em O Turista Aprendiz (2002), relata o contato com um seringueiro e o retrata (mesmo sendo portador de malária) com traços semelhantes aos mencionados no poema acima :
Na proa, de-pé olhando o ‘Vitória’ [nome do vapor onde viajavam], vem um rapaz, que idade? não é possível saber, a pele lisa, bem barbeada, boca fina, um risco apenas, olhos fundos, cinzentas olheiras profundas, onde se dispersa um olhar embaçado, que não vê coisa nenhuma, levemente mais claro que as olheiras. O cabelo encardido liso cai finíssimo. [...] Está claro que todos na amurada, olhando a lancha, comentando o caso, um rapaz novo assim nos cafundós dum seringal vivendo. É simpático. [...] A imagem do moço me persegue (Andrade, 2002: 142).
Na continuidade de Dois Poemas Acreanos, Mário de Andrade mostra preocupação com as condições sociais e de trabalho do seringueiro (e do trabalhador braçal, em geral), tema que será objeto de comentários e reflexões em outros textos, além de n’ O Turista Aprendiz. De acordo com estudiosos da obra de Mário de Andrade, nesse momento o escritor já se mostrava preocupado com a função social do artista. Para Telê Lopez (1972), nessa época ele já entrara em contato com algumas obras marxistas, cuja ótica será desenvolvida na segunda viagem etnográfica.
Para João Luiz Lafetá em seu livro 1930: a crítica e o modernismo (2001), o livro de poesias Clã do Jabuti consiste em :
Espécie de “repertório do Brasil inteiro”, em que a dança do “Carnaval carioca” se mistura à meditação do “Noturno de Belo Horizonte”, o “Coco do Major” Venâncio da Silva convive com a “Moda da cadeia de Porto Alegre” e com a cama paulista de Gonçalo Pires, ou, por fim, a escrivaninha da Rua Lopes Chaves descobre em assombro o acreano “pálido magro de cabelo escorrendo nos olhos”(Lafetá, 2001: 187-8).
Esse livro traz poemas de 1924, como o “Noturno de Belo Horizonte”, citado por Lafetá, certamente escrito sob o impacto da “viagem da descoberta do Brasil”. “Eu queria mostrar todas as histórias de Minas/ Aos brasileiros do Brasil...”11. Até sua publicação, em 1927, ele pareceu amadurecer visões do Brasil.
Ao organizar a publicação de O Turista Aprendiz, Telê Lopez informa :
Pretendemos nesta edição de O Turista Aprendiz, reunir numa estrutura de diário os textos que narram as “viagens etnográficas” e que se apresentam marcados por uma elaboração destinada ao público: o diário de 1927, organizado como livro em 1943, e a série “O Turista Aprendiz”, do Diário Nacional (Lopez, 2002: 35)12.
É possível observar redações diferentes nas duas partes que compõem o livro, já que as crônicas nos dizem algo do cotidiano observado, e os outros textos do livro podem manter um maior distanciamento desse mesmo cotidiano. Em outro livro, igualmente não finalizado, Balança, Trombeta e Battleship – ou o descobrimento da alma (1994), suas personagens principais são as companheiras da primeira viagem à região amazônica, onde Balança é o apelido dado a Margarida Guedes Nogueira e Trombeta, o de Dulce do Amaral Pinto. Da mesma forma, algumas observações presentes nos livros do projeto Na Pancada do Ganzá também fazem parte da viagem amazônica. Possivelmente as análises e escritos literários precisaram de mais tempo (e outra viagem) para que fossem gestados e retrabalhados para publicação.
O livro Remate de Males traz ainda uma série de poemas publicados sob o título Poemas da Negra, onde aparece a figura religiosa de Mestre Carlos (“A jurema perde as folhas derradeiras/Sobre Mestre Carlos que morreu...”)13que Mário de Andrade tanto retratou em O Turista Aprendiz, assim como a jurema, planta típica do nordeste que é utilizada em rituais religiosos observados por Mário de Andrade na sua segunda viagem etnográfica. Nesse livro aparecem também os poemas líricos de Tempo de Maria. Telê Lopez (2002) lembra ainda que nesse poema aparece o conceito de perfil duro, também presente na Uiara de Macunaíma. Além é claro, da constatação do próprio autor quando percebe o “Grito imperioso de brancura em mim”14. Na realidade, o livro está repleto de citações, passagens e referências sobre a cultura brasileira e, por vezes, retoma situações já colocadas em Macunaíma.
Essa reescritura ou distanciamento do cotidiano também pode ser observada em Os filhos da Candinha, livro em que republica crônicas escritas anteriormente para jornais, algumas delas referentes ao período de suas viagens etnográficas. As crônicas, por vezes, recebiam uma nova redação. Da mesma forma que o contato com Chico Antônio foi reutilizado em obras posteriores.
Considerações finais : a ação política de Mário de Andrade
Mário de Andrade acreditava que o processo de industrialização que então se iniciava no Brasil, mais especificamente em São Paulo, era fomentador de grandes mudanças sociais, culturais e políticas. Envolvia, por exemplo, a onda migratória de brasileiros para o Sudeste – principalmente para São Paulo. Em sua visão cultural e política, o município deveria, então, buscar os registros culturais de outras regiões e colocá-los à disposição de toda a população que seria cada vez mais miscigenada. Esses registros, se constituiriam assim em memória do local de origem, para esses migrantes. A preocupação com as vozes e falas do Brasil continuam presentes nas concepções estéticas e políticas de Mário de Andrade.
Assim, alguns anos após suas viagens etnográficas, coordena a Missão de Pesquisas Folclóricas (MPF), montando uma equipe com quatro pesquisadores – Luís Saia, Martin Braunwieser, Benedito Pacheco e Antônio Ladeira – preparados para registrar, catalogar e, na medida do possível, trazer para São Paulo, objetos culturais e artísticos de todo o País. O grupo parte para as regiões Norte e Nordeste do país, com intenção de gravar músicas, e danças dramáticas brasileiras, que seriam mais tarde disponibilizadas a toda população paulista. Flavia Camargo Toni (2004) informa que, após anos de estudos, Oneyda Alvarenga organizou 4378 fichas de material catalogado nessa viagem, organizadas sob diversos rótulos: “fonogramas, notações, filmes, textos, Folclore Nacional – discos, gêneros, regiões e fotografias – permitem recuperar as informações coletadas” (Toni: 2004b, 9)15.
Para desempenhar essas novas atividades e projetos, Mário de Andrade permaneceu em São Paulo enquanto a equipe viajava e coletava materiais da cultura popular brasileira. Este trabalho só se encerraria – sem conclusão definitiva – com a demissão de Mário de Andrade do Departamento de Cultura, por conta das divergências provocadas pela nova situação política nacional, iniciada com o golpe de Getúlio Vargas, que deu origem ao Estado Novo.
No desenvolvimento desse projeto, a ideia de cultura brasileira, na visão mariodeandradiana, é considerada mais brasileira e menos paulista, pois a MPF parte para as regiões que Mário de Andrade já havia visitado. E, mais que tudo, foi um projeto político de preservação da cultura brasileira.
Nesse período Mário de Andrade mantém contato e diálogo com muitas pessoas, principalmente franceses que residiam em São Paulo, o que também o auxiliou no desenvolvimento do pensamento social brasileiro. Citamos os pontos de convergências estabelecidos entre Mário de Andrade e o casal Lévi-Strauss – sobretudo com Dina Lévi-Strauss, na sua passagem pelo Brasil, quando colaboraram na fundação e formação da Sociedade de Etnografia e Folclore, e também com Roger Bastide, além do poeta Blaise Cendrars (num primeiro momento). Recordamos que a proximidade com o casal Lévi-Strauss foi importante também para eles, pois foi o Departamento de Cultura que financiou parte da primeira viagem do antropólogo francês para o interior do Brasil auxiliando-o no desenvolvimento de suas pesquisas etnológicas, como ele retrata em Tristes Trópicos e em outros trabalhos (Passetti, 2008).
Os contatos que Mário de Andrade estabeleceu com brasileiros e estrangeiros podem ser compreendidos como vias de mão dupla, em que ambos os lados se retro-alimentam de inspirações e ideias. Na correspondência do escritor modernista com colegas e amigos fica nítida a rica troca de informações e opiniões, cujas trocas ocorreram durante toda a vida do escritor.
Por fim, é inegável o esforço empreendido por Mário de Andrade em busca das vozes do Brasil. Essa procura foi uma preocupação constante em toda a obra e trajetória pública do escritor paulista como tentou-se demonstrar.
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1 A viagem a Minas Gerais, mais especificamente, por suas cidades históricas, foi feita na companhia do poeta francês Blaise Cendrars, cuja concepção estética influenciou parte dos modernistas brasileiros.
2 Utilizamos aqui a expressão “redescobrindo” porque é com esta idéia que Mário de Andrade parte em suas viagens etnográficas. Entretanto, mais que “redescoberta”, o que o autor faz é um aprofundamento sobre a realidade da cultura brasileira.
3 São quatro livros que procuram entender as manifestações artísticas e culturais do Brasil, buscando suas origens e formações. Tais obras promovem um diálogo entre a Academia – etnologia, antropologia, folclore, sociologia – e as artes, mais especificamente as músicas e danças brasileiras. As obras estudadas são: Música de Feitiçaria no Brasil (1963), Os Cocos (1984), As Melodias do Boi e Outras Peças (1987) e Danças Dramáticas do Brasil (1982). Todos estes livros foram publicadas com o auxílio de Oneyda Alvarenga, amiga e estudiosa da obra do escritor.
4 As viagens também auxiliraram a ação política de Mário de Andrade no Departamenteo de Cultura do município de São Paulo na década de 30 (Santos, 2012). Mas este é assunto para outro artigo.
5 Para mais detalhes, observar a obra de Fernando Cristóvão (1999), que enumera diversos títulos para exemplificar essa característica do gênero literatura de viagens.
6 Publicado originalmente em 1993, com edição crítica de Raimunda de Brito Batista.
7 Os grifos são do próprio autor.
8 O Diário Nacional foi um jornal ligado ao Partido Democrático, do qual Mário de Andrade sempre esteve próximo. Seu redator-chefe foi Paulo Duarte, amigo do escritor modernista. Para saber mais, ver: Duarte (1976) e Miceli (2009).
9 Esta versão, encontra-se no livro Poesias Completas, de Mário de Andrade, 2005, p.162.
10 Mário de Andrade, Poesias Completas, 2005, p. 203.
11 “Noturno de Belo Horizonte”, in: Andrade, Mário de (2005). Poesias Completas, p. 186.
12 Para mais detalhes ver A edição de “O Turista Aprendiz”, de Telê Lopez in: Mário de Andrade, O Turista Aprendiz, 2002. As aspas são da própria autora.
13 Para mais detalhes, ver Poesias Completas (2005), p. 251.
14 Idem, p.265.
15 As peças coletadas pela MPF estão disponíveis no Centro Cultural São Paulo (CCSP) e Instituto de Estudos Brasileiros da USP (IEB-USP).
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Pour citer cet article:
SANTOS, Marcelo Burgos P. dos. «As viagens de Mário de Andrade em busca das vozes do Brasil», Plural Pluriel - revue des cultures de langue portugaise, n°12, printemps-été 2015, [En ligne] URL: www.pluralpluriel.org. ISSN: 1760-5504.
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