Uma homenagem a um Amigo e a um Homem de Cultura
A lembrança que guardo do Michel é acima de tudo a de um homem modesto, simples, cortês e amigo.
Impressionou-me, logo na primeira vez que nos encontramos, a graça da simplicidade, a sua maneira calma de falar, o olhar que transmitia serenidade e extrema simpatia, a sua capacidade invulgar de saber escutar. Notava-se que era um génio. E como todo bom génio, sabia cativar pela simplicidade, camaradagem e cordialidade.
A última vez que estivemos juntos, falou-me da sua infância e da sua vivência na Argélia. Fê-lo sempre com uma certa emoção, o que me surpreendeu, primeiro, e bastante me agradou, depois. Senti que crescia uma certa cumplicidade entre nós, facto que me encantou, ou não fosse ele um dos intelectuais que mais me impressionara pela sua maneira de ser e estar.
Lembro-me de uma vez em que o tema da nossa conversa foi a universidade da literatura. A sua posição não era somente a de um professor de literatura, uma autoridade na matéria, mas acima de tudo de um cidadão do mundo. Um cidadão lúcido e coerente, na palavra e nos actos, profundamente convicto de que para haver universal tem que haver local. Esta deve ter sido provavelmente uma de suas motivações principais para a pesquisa, apoio e divulgação da literatura africana, em geral, e a escrita em língua portuguesa em particular.
Essa visão universalista fez de Michel Laban um homem invulgar, profundamente comprometido com os valores e ideais de igualdade e solidariedade, um amigo e um irmão. E é a esse amigo e irmão que quero render uma sincera e profunda homenagem, ciente de que o seu legado de Homem de cultura e de humanista inspirará todos quantos tiveram o privilégio de com ele conviver.
Abdulai Sila
Né en Guinée-Bissau en 1958, ingénieur électronique diplômé en Allemagne, il est aussi économiste et chercheur. Il est cofondateur de l’Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas, de la première maison d’édition privée de son pays, Ku Si Mon ainsi que de la revue Tcholona. Son roman Eterna Paixão (1994) est considéré comme le premier roman guinéen. Le second roman a été traduit en français, L’ultime tragédie (Editions Sépia, 1996).
Nascido na Guiné-Bissau em 1958, engenheiro eletrônico formado na Alemanha, também é economista e pesquisador. É co-fundador do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas, da primeira editora privada do seu país, Ku Si Mon et da revista Tcholona. Considera-se Eterna Paixão (1994) como o primeiro romance guineense. O seu segundo romance foi traduzido em francês, L’ultime tragédie (Editions Sépia, 1996).






