“Terras ásperas e secas” – fragmentos do discurso naturalista na literatura missionária sobre o interior centro-africano entre os sécs. XVI e XVIII
Numéro 11: Visions du Sertão
Résumé
La région au sud du fleuve Congo a attiré, entre les XVIe et XVIIIe siècles, un grand nombre de missionnaires de règles et origines diverses. Leurs écrits témoignent d’une production qui est, pour cette époque, une expérience unique dans les rapports des Européens avec la réalité africaine. Cette étude analyse certaines lignes du discours produit par ces religieux sur la nature. Il convient de noter, en premier lieu, la relation des missionnaires avec les cercles collectionnistes d’Europe, et la culture de la curiosité qui a marqué l'observation de la nature. Dans le cadre de l'activité missionnaire, la nature, elle-même, se présente à la fois comme un territoire d’édification et comme un espace de pénitence, qui met en évidence les difficultés particulières de l’action missionnaire sur le sol africain.
Resumo
A região a sul do rio Congo atraiu, entre os séc. XVI e XVIII, um grande número de missionários, de várias regras e proveniências. A sua produção textual testemunha, para esta época, uma experiência única no confronto dos europeus com a realidade africana. Neste estudo, ensaiam-se linhas de análise acerca do discurso produzido por esses religiosos sobre a natureza. Sublinha-se, por um lado, a relação que os missionários mantinham com os círculos colecionistas na Europa, e a cultura da curiosidade que pautava a observação da natureza. No contexto da actividade missionária, a natureza apresenta-se, em simultâneo, como território de edificação e como espaço de penitência, evidenciando as dificuldades particulares do ofício missionário em terras africanas.
Abstract
The region south to the river Congo has attracted, from the XVI to the XVIII centuries, a great number of missionaries, from many orders and origins. The textual production of these missionaries gives testimony, in this era, of an unique experience in what regards the confrontation of the europeans with the african reality. In this paper we try to analize the discourse of these missionaries on the nature as a subject. We give emphasis, on one hand, to the rapports between these religious people and the collectionist sectors in Europe, and the culture of curiosity which characterized the observation of nature, on the other. In the context of missionary activities, nature is regarded, at the same time, as a territory of edification and as a space of penance, emphasizing the peculiar difficulties of the missionary task in african lands.
Profil de l'auteur:
Carlos Almeida é investigador do Instituto de Investigação Científica Tropical, Mestre em História dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa e Doutor em Antropologia, ramo Etnologia, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, desenvolve investigação centrada na região da África Central em torno de temas relacionados com História de África, Angola em particular (séc. XV-XVIII); Imagem de África e dos Africanos na Cultura Europeia; História dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa; História das Missões Católicas em África (séc. XVXVIII); Literatura de Viagens.
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