Para Laban
Michel Laban (Collection Famille Laban)
Michel Laban era de uma grandeza imensa, capaz de unir contrários: humildade e sabedoria, modéstia e erudição, nobreza e humor, generosidade com os outros e exigência em relação a si.
Devo ao Laban muito do que sei, pois, magnanimamente, respondia a todos os meus e-mails, ora gracejando, com certa dose de humor, ora “me puxando as orelhas”, com o afeto de quem sabe mais e ensina. Brincava: “Mon amie (que pode ser lido também em quimbundo...), não tem vergonha de me fazer tanta pergunta? Leia o óptimo Angola, Encontro com escritores, de um tal Michel Laban. Conhece?!Agora, a sério: obrigado, Carmen, por me fazer estas perguntas. Elas dão-me a impressão de que o livro tem alguma utilidade.”
Uma vez, indaguei se o vocábulo “pepetela” significava “pestana” em quimbundo ou em umbundo. E ele explicou que era uma palavra do quimbundo, mas que aparecia também no umbundo. Com a moderação e a cautela dos que não gostam de ostentar os próprios conhecimentos, completou: “Vou estar com o Pepetela em breve; eu pergunto a ele e, aí, poderei responder-lhe com segurança.”
Laban, além das importantíssimas explicações sempre prontas a dar, tinha, em geral, uma palavra de respeito e amizade por todos a sua volta. Exímio tradutor, profundo conhecedor das Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, competente e minucioso dicionarista, deixou uma enorme contribuição aos Estudos Africanos. Por isso e pela pessoa tão humana que foi, nunca será esquecido. A cada lembrança sua, a cada releitura de um texto seu, muitas serão as lágrimas de sincera e eterna saudade.
Carmen Lucia Tindó Secco






