Numéro 4 - 5: textes et documents - AVE, MARIA MUTEMA!
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| AVE, MARIA MUTEMA! |
| SARIEMA - Rinaldo de Fernandes |
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AVE, MARIA MUTEMA!
Aleilton Fonseca
O senhor me escute, por precisão minha. Venho de longe, estou de volta, depois de longas passagens. Sou destas ribanceiras do sertão jequitinhão, agora dificultoso de reconhecer, tantos trechos que se acham demudados. Me criei nestas pirambeiras, perto de São João Leão, lugar até hoje santo no nome, mas despido da bondade divina. Será castigo? Venho em missão minha, pra sossegar meu espírito. Jurei, em promessa por saúde, desmanchar os falares de um parente meu, dito Jõe Bexiguento, meu avô, raro homem de bandos e arruaças, daqueles tempos que se vão nas lembranças dos mais velhos. Eis aí o arraial, toda gente mudada; todos contam a estória, mas ninguém sabe por certo os pingos dos is. São João, na capela humilde, espia o povo do mesmo jeito, mas as orações tresmudam com o tempo. As estórias também. Em viagem, pressinto e revejo: a terra é a mesma que vi, pois ainda enxergo os sinais dos caminhos por onde atravessei cancelas.
De quando começo a jornada? Certo dia, de rompante velhice, caí doente de fazer pena aos estranhos. De tal labutar nos eitos, descangotei os ossos! No delírio das febres, eu me via de novo meninozinho miúdo, por aqui jogado, convivendo com as futricas de gente grande. No achaque, conheci que morria mesmo, se não recolhesse meus vinténs de fé, e me pegasse com a bondade da Santa, obreira de milagres tão falados pelas bandas deste sertão de nós todos. Em contrição, larguei do cachimbo e da cachaça, traguei garrafadas e beberagens, purguei os pecados na reza. De alma leve, fiz promessa à Santa, no interesse de ficar bom das pernas e andar por aí sem tonturas. Pois, daí melhorando, me alembrei das arengas de minha mãe, de si para mim, pirralho asnado, sem entendimento das coisas. Depois de velho, ao lembrar, entendi os assuntos. Ela remoía a certeza dos fatos que não contava a ninguém, por contradizer seus interesses. Eram esmiúças com que ninguém atinava e só ela havia salvado dos cochichos. Caí em mim que os relatos de meu avô Jõe Bexiguento eram verdades falseadas, sem maldade, só por meneios de excelente contador. De pedaço em pedacinho, ajuntei os detalhes outros certos que só minha mãe conhecia. As palavras passavam a ser minhas, pelos fios reatados na lembrança. Foi assim, assumi a missão, conforme passo ao senhor. Venho, nesse bom trecho, desenredar a estória que meu avô espalhava aos quatro cantos de suas andanças nos bandos armados, suas fiéis famílias. Ele, demais às pilhérias, amiudava a trama dos causos, só por gosto de levar o ouvinte aos arrepios, pra que de certo modo se divagasse.
Contava ele que neste lugar existia uma mulher, por nome Maria Mutema. Deu-se o caso escabroso: a morte do marido dela, que amanheceu despachado deste mundo, sem motivos de doença que se visse ou atestasse. Maria Mutema obrou como boa esposa, gritou ao povo vizinho, clamou pela ajuda de todos. O arraial quase todo correu a confirmar o fato. Ninguém esperava tal desmastreio de um homem forte, um touro de saúde nos pastos de Deus. Algum sinal não se via; a morte sem aviso abatia o homem, contrariando o seu apreciável estado. “Coração é sestroso, para de repente, sem querer, num acesso fatal.” Isso declarou o padre Ponte, desde logo presente, que morava bem perto. Era um vigário de mão-cheia, cumpria-se na caridade, na pregação das virtudes no sermão, atendia a qualquer hora, concedia aos roceiros a bondade da santa hóstia ou dos santos-óleos. Ouvida a opinião do padre, dispensasse caçar doutor de longe. Pra que, se o caso era sem cura? Deu-se o fato, seguiu-se ligeira sentinela em meio às conversas miúdas. Naquela tarde mesma, ficava Maria viúva, e o marido bem enterrado. Tanta pressa não era costume, mas o padre Ponte oficiou correto à beira da sepultura.
A viúva Maria Mutema, bem vivida, sabia constar quieta, crismada na lei sertaneja. Não dava mostras de grave sofrer, ciente de si, que cada qual sabe como dói sua dor. Como os demais, sem lágrimas nem soluços, procedia vivendo. O povo deu fé foi de sua contrição. Todo santo dia comparecia à igreja, em silêncio, os lábios murmurejando preces continuadas. De três em três dias se confessava, requerendo no reservado as atenções do padre Ponte. Sobredita carola — isso cochichavam —, contratava aos Céus a salvação de sua alma? Era devedora de tanto a perdoar? Fechada no luto das vestes, nunca não ria; espichava o pescoço ao altar, os dois olhos pregados no padre. Isso se notava, sem se dar explicação.
O padre Ponte, homem de bem, tal sacerdote, constava grisalho, em meia-idade, engordava de bondoso, nos seus jeitos mansos de tratar a todos, muito estimado. Tinha lá seus poréns; tanto era padre, e quanto mais era homem. Com respeito, e só para não faltar aos exatos, confirmo que era pai de três filhos, com mulher de brio e simpleza, que tomava conta de tudo, e acudia pelo nome de Maria, chamada às boquinhas Maria do Padre. Ora, ali era aceito tal ajuste, sem escândalo nem surpresa. Bem obrasse o padre, criando os rebentos de sua lavra para os bons serviços do mundo.
De sua parte, a Mutema prosseguia no pé do homem, multiplicava-se no confessionário. Dona de tantos pecados, carecia de penitências para dar cobro nas ações, palavras e pensamentos. Alguns notavam no rosto do padre Ponte um desconforto pesado; ele avermelhava, desgostoso de emprestar ouvidos àquele sacramento. Se agastava com as prosas da mulher e os termos da confissão. Ele sofria o peso dos segredos resguardados?
Diziam que, às vezes, até dialogavam, aos sussurros, palavras abafadas. Quem apurasse as orelhas, ouvia até uns ruídos, que o padre ralhava com ela no confessionário. Mutema saía em prantos calmos, serena, humilde, padecedora nos gestos, e enternecia os demais pecadores na fila da confissão. De três em três dias era esse sacrifício, dias em que as filas cresciam repletas dos que acudiam às demonstrações já faladas, por melhor saber e daí comentar.
O padre Ponte parecia querer se sumir da função. Era ver sua cara, lá estampava-se um verdadeiro sofrimento; e mesmo um temor, no dever de ir escutar a Mutema. Ia, por juramento de ordem, força superior, do alto. Afligia-se, como se aquela conversa o deixasse, tal homem como todo igual, e, por sua outra condição, a um palmo das profundas.
Tanto que, assim decorrendo, sem prazo, o padre Ponte foi decaindo das feições, os traços do rosto se retorciam; pegou doença grave das que matam sem dó nem demora. Cada dia mais magro, amofinava, crispo de dores, esqueletado, os olhos fundos, e a cor amarelando como folha velha. Aquilo era uma funda tristeza que dava dó, só de antever o mau resultado. Lá uma noite, o padre Ponte morreu. O povo, enternecido, cumpriu as honras devidas. Aviaram padre de fora, que rezou a missa e encomendou a alma. Pesarosos, em pia festa, conduziram o padre Ponte à derradeira morada.
Os curiosos notaram, nesse dia e daí por diante, o sumiço total de Maria Mutema. Amoitada em casa, ela nunca mais voltou na igreja. Adeus missa, adeus confissão. Maria, rogada ao silêncio, em nada não se explicava.
Até estes pontos era o que contava vôzinho, com muito gosto na prosa. No entanto, sobre o silêncio da viúva, o povo anotava e explicava uns senões. Ora, a Mutema ia à igreja em busca do padre, e não da salvação? Queria, ao contrário, achar, na igreja, a sua perdição? E que compridas confissões eram aquelas, como se íntimas conversas?
Onde há fumaça, sobrevêm cinzas. A gente se inteirava de outros pontos, de modos transversos. É que, lá nos escondidos de si mesmo, o padre Ponte era outro homem. Maria Mutema era sua velha conhecida, doutro arraial longe, onde, bem jovens, tinham trocado juras de amor e paixão. Até que um dia, ele, sem aviso sequer, largou tudo, seguiu viagem longa ao seminário. Ela ficou sozinha, moça e já feita mulher. Conservou a paixão, recolhida e calada.
Após tantos anos, na paz de São João Leão, eis que topou com o novo padre, recém-chegado, e lhe conheceu as feições, num disparo de coração a galope. Mas! Estava já casada, e, no impulso, o antigo amor renascia, porém proibido. Deu a si mesma um conselho, permaneceu em total recato. Por caridade a si e ao padre, evitava de ir à igreja. E orava todo dia em casa.
Entretanto, o padre Ponte descobriu Mutema, pregou olhos nela, deu a andar chiqueirando em seu terreiro, na desculpa de visitar os fiéis. Logo o marido notou os passos do padre, e, sabedor de sua fama, que começava a correr, pôs reparo e reclamou com a mulher, prometendo fuzuês e acintes. “Lugar de padre é na igreja! Você se proceda!” Mutema, arreliada, já nem dormia direito. Pediu ao antigo amante que, por compaixão e respeito, deixasse-a em paz, bastavam-lhe as penas do coração. Ele, insistente, insinuou que andava precisado de trocar de Maria. E estava lembrado e saudoso dos quebrantos do corpo dela. Arre, pecado! Ela lutava contra si e contra ele. Resistia. Lá uma vez ele disse, em meias palavras, com voz à esguelha, que se o marido dela faltasse ficava tudo ajeitado. Verdade que era forte, saudável, mas havia jeitos que se davam, como um caso que ouvira contar, uma artimanha de atingir a pessoa sem lavrar desconfiança. E relatou a ela a experiência.
Dias depois o marido morreu, conforme já consta. E daí Mutema não teve mais sossego, pelo ímpeto que teve de aviar o destino. Passou a correr à igreja todo santo dia. Livre e presa, ela desabafava no confessionário. Recebia a absolvição de padre Ponte. E cobrava as promessas de ficarem juntos, reatando o passado perdido. Mas, não! Ele dava para trás, pensativo, ia pedindo tempo para refletir. Ora! Diante do consumado, o homem quedou mofino, ardia em medo do fogo da perdição. E também ardia por ela, acometido e represado, com vontade de agarrar seu corpo, rasgar os trapos, se regalar de seus calores. Daí recuava, cada vez mais pálido, sofrendo uma paixão abrasiva e tais pecados. De três em três dias, era este reajuste de amantes interditados. Maria cobrava, aos soluços, mas ele repelia. Pela segunda vez ela estava perdida, e trazia atada às costas uma morte em vão. Isso era o pior. Mutema então repartia a culpa com ele, acusava as suas indiretas e o quase ensino do jeito de proceder o crime. E isso o padre Ponte não suportava, a olhos vistos definhava, sob o veneno dos segredos de confissão. Numa ocasião, confessou-se a um padre estrangeiro, que estava de passagem em missão, e remediou sua alma. Mas era tarde para salvar o corpo. E padre Ponte morreu.
Mutema sumiu da igreja, como já contei. As falações sobrevieram como chuva fininha, molhando com vagar o entendimento do povo. Principiavam a tecer má fama ao padre morto. E muitos deixaram a igreja, que ia esvaziando de fiéis. Em pouco tempo, restou que o rebanho debandava, pois se achava desgovernado. Por isso sucedeu uma santa missão no arraial de São João Leão, a modo de resgatar o bom nome de padre Ponte, e exorcizar as causas de tão graves males.
Os missionários, dois padres estrangeiros, traziam no olhar as marcas de forte sermão, impondo a todos o medo do fogo eterno. Bradavam o dia todo, na igreja, nas ruas em procissões, pregavam, rezavam, confessavam e aconselhavam, dizendo quais eram os rumos do Céu. Todos sentiram o calor da fé atiçada, pelo entusiasmo daqueles homens que conduziam os poderes do alto na voz e no olhar.
Quem ia adivinhar? No derradeiro dia, era véspera da festa de comunhão geral e glória santa, deu-se o avesso de um milagre. Era já no fim da função, prestes à hora da benção. Um dos missionários, no alto do púlpito, presidia o ato, e, de joelhos, todos declamavam a salve-rainha. Aí, Maria Mutema entrou.
O missionário levantou os olhos, que da luz se iluminavam. Maria Mutema vinha entrando, e ele esbarrou com um gesto. Foi um espanto de todos, quase quebrando em dois pedaços a oração em curso. Isso coisa que não podia, pois salve-rainha deve ser prosseguida sem falha até inteirar. O missionário sustentou o fraseado, de voz remodelada, isso se ouviu. Daí, ao proceder o amém, se pôs em altura, na beira do púlpito, chispando em brasa, debruçado. E socou a madeira do peitoril, era ver uma onça canguçu parida. E mandou o grito: — “Pra fora, já, essa mulher que por derradeiro entrou, saia já, em nome de Deus!”
Todos, estarrecidos, em tal espanto, apontavam os olhos a ver a Maria Mutema. O missionário reiterou: “— Que suma daqui, com seus segredos maléficos, pelo sangue de Jesus! Mas se veio se arrepender de seus pecados, se for capaz de tal feito, então me aguarde, que recebo, por dever e caridade, a sua confissão. Mas tem uma condição. Ela tem de se confessar na porta do cemitério! Vá, em nome da Cruz! Vá esperar lá, rente às covas onde estão dois defuntos enterrados!”
Após o trovão das palavras, com todo fôlego do peito, o padre fechou os olhos, e orava. O povo na igreja sentiu o tropel dos arcanjos guardiães do Céu, como das funduras do Apocalipse. Eram gritos das mulheres, choros dos inocentes de colo, as velhas despencavam de vertigem, todos os mais ajoelhados, cobriam-se com o sinal da cruz. Muitos, quase toda gente, choravam.
Maria Mutema, sozinha exposta, de pé se aguentava, o corpo todo tremia, na magreza, coberta de luto, lavada de lágrimas, gemia, exclamando sua dor, no fundo da alma estraçalhada de culpas. Ela, então, de baixo, humilde, ajoelhada, pegou a cantar um canto gemido, declamando assim as palavras, entre prantos:
— Pelo bem da igreja, me confesso culpada. E peço perdão! Perdão forte, perdão de fogo, que da dura bondade de Deus baixe sobre meu corpo, em dores de urgência. Ai, que peno, desde moça, cometendo desatinos, até essa vista velhice. Imploro o perdão de todos. Confesso minha culpa, minha tamanha culpa. Por vão sentimento, fui onça monstra, matei meu marido. Eu, suja cobra, bicho imundo, sobras do podre de todos os estercos. Matei meu marido, naquela noite, sem malfeito dele nenhum. Matei, enquanto ele estava dormindo despejei no buraquinho do ouvido dele, por um funil, um terrível escorrer de chumbo derretido. Ele passou dessa pra pior, do sono para a morte.
Nessa ladainha, o povo em assombro, Mutema calou; as lágrimas escorrendo sobre os pecados estampados no seu rosto. O missionário, de voz baixa agora, murmurou o nome do padre Ponte, interrogando. E Mutema de novo prostrou-se, em desespero, as mãos tapavam o rosto, e daí ela decantava as palavras:
— Ao padre Ponte menti no confessionário. Contei que tinha matado meu marido por causa dele, porque dele gostava em fogo de amores e queria ser concubina amásia sua. Tudo mentira. Eu não queria, nem dele gostava. Mas, de ver o padre em justa zanga, tomei gosto, me dava um prazer do cão, que aumentava de cada vez, pelo que ele não podia se defender de modo nenhum. Era um homem manso, pobre coitado, e padre devoto. Todo o tempo eu vinha à igreja, confirmava o falso, e praticava o mal. O padre Ponte, de tanto desgosto, adoeceu, e morreu em desespero calado. Tudo crime, e tudo isso eu fiz! E imploro o perdão de Deus.
Maria Mutema se espojava ao chão, uivava, esguedelhada, retorcia as mãos, elevava ao alto, na direção do altar se alevantava. O missionário retomou a função, cantava aos brados um bendito em loas ao Senhor. E assim finalizava, num gesto, mandando todos de volta aos lares. Mutema seguiu sozinha, acompanhada pelo olhar de todos, o rosto inchado da penitência. No outro dia, o arraial já enfeitado para a festa do domingo, os atos finais da santa missão. Mas os ânimos estavam abalados, e muitos se benziam ao tratar o assunto.
Até aí, procede justo com os relatos de meu saudoso avô. Entretanto, a verdade só existe se a gente toma conhecimento dela. Eu revelo ao senhor, por missão minha que estou a cumprir. Maria Mutema assumiu toda a culpa, por remorsos verdadeiros das más obras que fez. E carregou, sozinha, o enorme fardo, sem revelar os acontecidos de trás-pra-diante. Por imenso amor e devoção, livrou o amado de todas as pechas encobertas. Queimou sua vera estória no fogo da fé, que assim obrava pelo bem da igreja, de padre Ponte, e de todos os moradores do arraial. Ela, Maria Mutema, pedia perdão, se humilhava, clamava ao Pai-eterno. Todos compreenderam o ato e lhe davam razão, aprovando o seu proceder. Daí em diante a estória era só essa única que ela havia consagrado em confissão aberta diante altar, como uma aliança.
No outro dia, bem cedo, Maria foi conduzida por dois paisanos, e ficou detida no prédio da escola. Decretou a si mesma um grave castigo: não comia, não falava, não se banhava. Sem sossego, vivia de joelhos, já chagados, clamando seus remorsos. A todo que se aproximasse, pedia perdão. Suplicava que cuspissem em sua cara e lhe dessem bordoadas. É só isso que mereço — ela exclamava, contrita.
Maria Mutema ficou em São João Leão ainda por alguns dias, cumprindo a própria sentença por ela mesma ajustada. Depois foi a júri, em reunião de homens de lei e pessoas leigas. Ela cumpriu bons anos na cadeia de Araçuaí. Por tudo isso, se fez famosa e muito visitada. O povo vinha abordar, com palavras de consolo e carinho, e juntos rezavam com fé. Todos tinham gosto de participar daquela cerimônia, iniciando assim uma romaria.
Os encontros com Maria Mutema resultavam edificantes. Produziam bem-estar aos doentes, acendia a fé nos incrédulos, trazia esperança aos necessitados. Todos se sentiam mais próximos do Céu. Ela relatava suas culpas, quase maiores a cada ano que passava, e por contra dava mostras de total arrependimento, com tão alta humildade e tão grave sofrer, que as ideias do povo firmaram a razão. Maria Mutema estava ficando santa. E o tempo confirmou, levando a boa nova cada vez mais longe, a outras terras. Ela hoje recebe os romeiros à beira da cova para acatar as promessas e distribuir misericórdia aos devotos. Eu mesmo confirmo os efeitos, pois que alcancei uma graça. E agora, diante do senhor, termino de pagar minha promessa. Ave, Maria Mutema, amém!
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Aleilton Fonseca nasceu em Firmino Alves, (Bahia - Brasil), em 1959. Atualmente leciona Literatura Brasileira na Universidade Estadual de Feira de Santana (Bahia - Brasil). Tem doutorado pela Universidade de São Paulo. Sua obra abrange poesia, conto, crônica, romance, crítica e ensaio. Tem 12 livros e faz parte de diversas antologias de poesia, ficção e ensaio. Recentemente, publicou Nhô Guimarães (romance, 2006), As formas do barro (poesia, 2006), Les marques du feu et autres nouvelles de Bahia (Paris: Lanore, 2008) e O pêndulo de Euclides (romance, 2009). O conto "Ave, Maria Mutema!" integra a antologia Quartas histórias. Contos baseados em narrativas de Guimarães Rosa (2006).
Aleilton Fonseca est né à Firmino Alves (État de Bahia - Brésil) en 1959. Actuellement il enseigne la Littérature Brésilienne à l’Université d’État de Feira de Santana (Bahia - Brésil). Il possède un Doctorat de Lettres décerné par l’Université de São Paulo. Son œuvre littéraire réunit des poèmes, des nouvelles, des chroniques, des critiques et des essais. Il a publié 12 livres et figure dans diverses anthologies de poésie, nouvelles et essais. Récemment, il a publié Nhô Guimarães (roman, 2006), As formas do barro (poésie, 2006) et Les marques du feu et autres nouvelles de Bahia (Paris: Lanore, 2008) et O pêndulo de Euclides (roman, 2009). Le conte « Ave, Maria Mutema ! » intègre l’anthologie Quartas histórias. Contos baseados em narrativas de Guimarães Rosa (2006).


