Triscaidecofilia

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Na verdade, existem dois termos, antônimos e simétricos.  Os dicionários registram apenas “triscaidecofobia”, que é “horror ao número 13”.  A lógica me diz que existe também o seu inverso, o amor por esse número: triscaidecofilia.  Essa crença tem origens culturais que às vezes vale a pena pesquisar.  Os norte-americanos, por exemplo, padecem de ambas as condições.  A História dos EUA registra que foram 13 as colônias que se rebelaram contra a Inglaterra; daí que este número apareça de forma discreta (só vê quem tem a paciência de ficar contando) nos símbolos nacionais: são 13 faixas na bandeira e 13 flechas nas garras da águia, símbolo nacional.  Por outro lado, nos EUA são muitos os edifícios que não usam 13o. andar, por acharem que não é propício.  Passa-se direto do 12 para o 14.  O que coloca um interessante problema prático: é o nome “décimo-terceiro” que dá azar, ou é a posição?

 

Dizem que na cultura hindu o 13 é um número benéfico. Eles creem que quando uma pessoa morre sua alma leva doze dias para alcançar o mundo dos ancestrais, e no décimo-terceiro dia após a morte a família pode voltar a cuidar de sua vida, sossegada, porque o morto a essa altura já terá alcançado o seu destino.  Já na Inglaterra, conta-se que antigamente havia uma penalidade para comerciantes que burlassem os consumidores, e como havia o hábito de se comprar os pães por dúzia, os padeiros começaram a introduzir às vezes um pão a mais, para o caso de terem errado a conta.  Daí eles começaram a espalhar a lenda de que 13 dava azar, e com isto os fregueses devolviam o décimo-terceiro pão quando o encontravam.  Este costume teria dado origem ao termo inglês “baker’s dozen” (dúzia de padeiro) para designar o treze.

 

Algumas superstições estão ligadas a fatos históricos.  Assim como na Última Ceia havia treze pessoas (e uma delas, Cristo, morreu logo a seguir), diz-se que a origem da má fama da sexta-feira 13 é o fato de que foi numa data assim que os cavaleiros Templários foram presos e massacrados na França, em 13 de outubro de 1307 (o ano também deve ter pesado).  Também se diz que essa má fama foi criada e alimentada em parte pela Igreja Católica para combater as religiões pagãs, pelo fato de que um ano solar contém treze meses lunares, e era pelo ciclo lunar que os pagãos se orientavam, o que fazia do 13 um número básico de sua cultura.

 

A verdade é que o 13 é um desequilíbrio no 12.  O número 12 é considerado um número simetricamente complexo.  Ele é divisível por 2, por 3, por 4 e por 6.  Um número flexível, cooptável, que se ajusta a qualquer contagem. Temos os 12 meses, os 12 signos do Zodíaco, e assim por diante.  Basta, porém, somar mais uma unidade e surge o 13, um número primo, que só é redutível a si mesmo e à unidade, um número orgulhoso, indivisível – um indivíduo.  A admiração pelo 13 é em grande medida a nossa admiração pelos seres de personalidade única e inimitável, que não abrem nem prum trem.

 

 

 

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